Este texto não fala sobre mulheres solteiras. Nem bem fala sobre mulheres. Mas certamente diz um pouco de bem-sucedidos momentos.
Hoje eu tive no colo um coração miudinho batendo: um pedacinho pequeno de gente com respiração ligeira, mas serena. Preguiçosa, manhosa, frágil feito bibelô. Os olhos com pretensões de serem azuis não se importavam muito com quem os fitava, contanto que dali viesse acalento satisfatório.
No meio do furacão da vida, naqueles 20 minutos o mundo girou bem devagarinho para não assustar a pequena Maria Clara. Acho até que não só durante aquele tempinho, mas que tudo que dela se aproxima entra no seu ritmo. Seu tempo, seu tom de voz, suas ações comedidas. Ela impera soberana e dita as regras, sem fazer nem idéia do poder que tem.
Hoje eu vi transformação. Vi renovação de valores, de posturas, de prioridades. E nada foi pedido, solicitado, dito ou acordado. Maria Clara simplesmente chegou e nada mais precisa ser explicado. O mundo que se acomoda.
Ensaiei mil desculpas pela demora na visita à nova família. Não disse nada. Porque a pequenina me roubou todas as palavras. Mas o brilho no meu olho... era pura felicidade, puro orgulho.
Saí e não disse parabéns à mamãe-amiga, porque o que tinha mesmo que ser dito era obrigada. Obrigada pela oportunidade de presenciar um ciclo se completando, de ver mudança... e de entender que qualquer coisa que me aflija ou que me deixe feliz, nunca vai ser nada comparado à grandiosidade daqueles 20 minutos com uma nova vida nas mãos.
Obrigada, amiga, por ter colocado uma princesa no nosso mundo.
Aline, a mamãe coruja, só tem olhos pra pequena.
E o mundo certamente ficou mais cor-de-rosa.