sexta-feira, 26 de junho de 2009

É chegado o dia, eis que termina minha saga paulista... Agora começa a saga cearense. De volta pra casa, a saudade se mistura com a ansiedade e com a insegurança. Novos caminhos me esperam e eu não sei nada sobre eles. Só fica a certeza de que irei em frente. Hora de arregaçar as mangas e voltar pra casa.


Esse mês em Sampa foi maravilhoso por 'n' motivos diferentes. Conheci pessoas maravilhosas, convivi com amigos maravilhosos, aprendi muito e iniciei uma nova etapa profissional. Mas além de todas essas coisas, São Paulo me ajudou principalmente no quesito auto-conhecimento. Amante da observação de pessoas que sou, mergulhar num ambiente que tem absolutamente de tudo acabou fazendo com que eu me achasse. É isso mesmo, no meio do mar de gente eu me encontrei. Numa colcha de retalhos, fui analisando as nuances que me formam, o que eu sou, o que quero ser. Voltarei mais determinada pra casa, isso é fato.

E deixei pra abrir o biscoito da sorte do meu último jantar paulista só hoje de manhã. E a frase: "Não contemple o céu do fundo de um poço". Não mesmo! O céu está aqui, na altura do meu horizonte, no fim da minha estrada. Se determinação é a palavra da vez, vou contemplar o céu sempre de cima... da janela de um avião... do topo do mundo... do topo do meu mundo... porque é pra lá que eu vou!

Quem quiser vir comigo, aceito companhias... cabe todo mundo no céu! ;)

"Fly away, skyline pigeon, fly. Toward the dreams you`ve left so very far behind."

 

terça-feira, 23 de junho de 2009

Teoria da panelinha cearense

Eu precisava passar um tempo fora pra poder confirmar minha tese, e eis que ela se confirma diante de meus olhos: a teoria da panelinha cearense.


Afirmo, antes de mais nada, que não é uma visão preconceituosa, é apenas uma constatação de fatos. Não critico e não me isento de culpa, cearense torta que sou, também devo em alguns momentos contribuir com as observações. Digo logo também que não compactuo com visões separatistas-sulistas e que vivo feliz e satisfeita no nordeste, indo e vindo de cima pra baixo, misturando tudo numa cultura pessoal única. No entanto, todo povo tem prós e contras, e isso é fato inegável.

Pois bem, há um tempo já havia notado essa peculiar característica do cearense de viver em panelinhas. Na verdade, comecei a observar esse fenômeno ainda dentro do estado mesmo Entender o que estou querendo dizer é bem simples. Visualize a seguinte situação:

Coloque na mente a lembrança daquele forró que você já foi (não negue, até a pessoa mais cult do Ceará já foi a um forró, por mais que tente esconder a imagem na seção passado-negro-que-merece-ser-esquecido). Enfim, lembre-se desse fatídico dia e reconstitua a cena mentalmente.

Visualize você parado num ponto, com seu copo na mão, observando o movimento. O que você vê? Certamente, um mundarel de vários grupinhos conversando entre si, dançando entre si e um ou outro que se arrisca a tentar juntar uma turma na outra, o que normalmente só acontece quando temos grupos totalmente masculinos próximos a grupos totalmente femininos - esse é o único caso onde pode acontecer uma fusão entre panelinhas distintas.

Essa cena "todo-mundo-junto-mas-cada-um-na-sua" é a típica descrição da festa cearense. No primeiro carnaval que passei nas praias do litoral do estado, pensei: "É carnaval, certamente será diferente, as pessoas interagem mais e brincam todas juntas". Tolice! Em plena praça de Beberibe, um mar de grupinhos conversavam isoladamente, cada um em seu mundo e seu assunto, com seus copos na mão, olhando pros lados vez ou outra, mas sem nenhuma interação consistente.

Fiquei chocada com aquilo. E desde esse dia comecei a formular minha 'Teoria da panelinha'. Mas era preciso uma confirmação fora do estado para afirmar que isso é de fato uma característica do povo da terra de Iracema. E eis que durante minha jornada mensal em São Paulo a confirmação surge.

Como já escrevi aqui no blog, a porcentagem de conterrâneos que conheci aqui na terra da garoa foi fenomenal. Último fim de semana, saí com um grupo típico de cearenses, daqueles que não abandonam as origens. E eis que se repete a cena. Numa mesa imensa, toda made in Ceará, ninguém conversa com uma pessoa que não faça parte da sua panelinha. Não surgem assuntos que não façam parte da sua rotina e não se demonstra interesse pelo diferente ou desconhecido. Cada um na sua rodinha, com seus assuntos de praxe, o mundo exterior ou atividades diferentes não conseguem se infiltrar na conversa. Praticamente uma panela de pressão... bem vedada!

Obviamente, não posso de forma nenhuma generalizar. Conhecei cearenses aqui completamente abertos a conhecer novas coisas e pessoas, que mostram verdadeiro interesse em ampliar a panelinha e sentem prazer com isso. Mas no geral, todos os paulistas que conheci se mostraram mais abertos e interessados em novas pessoas e assuntos.. o que não aconteceu com todos os meus conterrâneos.

É uma pena, Brasil é todo lindo e todo mistura! Antes de ser nordestina sou brasileira, e adoro uma mistura, uma diferença, um acréscimo, um ponto de vista diferente, um mundo novo. Panelinhas são válidas e como disse, não me esquivo da culpa de participar delas. Mas depois de tal constatação, fica aqui registrado meu esforço pessoal futuro de abrir mais vezes a tampa da panela pra deixar o mundo entrar! 

domingo, 21 de junho de 2009

Quando vim pra São Paulo passar um mês estudando, eu sabia o risco que corria. Afinal, vim sozinha pra uma cidade gigantesca onde conheço muito pouca gente! Me coloquei o desafio de conseguir ficar sozinha comigo mesma e ficar bem. E até consegui de certo modo...


Umas das barreiras que me propus a vencer foi arranjar coisas pra fazer sozinha... tentar me desprender das companhias, ser mais autônoma e encontrar coisas que me satisfazem, gerar alegrias e momentos de prazer por conta e iniciativa próprias. A questão é que, durante o dia, eu me viro maravilhosamente bem. Não faltam museus, cinemas, shoppings e coisas para ver, tem arte e cultura por todo lado... passei tardes inteiras fotografando, e voltava pra casa exausta e feliz, mesmo que durante todo o dia não tenha trocado uma palavra com ninguém.

Me contentava plenamente com minha câmera, um café da Starbucks na mão e um sapato confortável... o dia passava brincando. No entanto, o grande problema de São Paulo pra mim foram os fins de semanas. Não foram todas as barreiras de mulher independente que eu consegui superar, confesso. Sem conhecer muita gente, todos têm suas vidas e compromissos... inevitavelmente, e como já sabia que aconteceria, ficava sozinha algumas vezes em noites de sexta e sábados.. coisas que para mim quando em meu habitat natural, são praticamente indício de depressão severa.

Totalmente ciente que isso aconteceria e psicologicamente preparada pra enfrentar o tranco do sábado sem balada, ficar em casa não foi tão sofrido. A madrugada dessa noite, no entanto, em casa conformada com a noite fadada à cama, inventei de ler um texto num site que me deixou meio tristonha: me mostrou que eu falhei!

Minha meta de estar com minha própria companhia por um mês deveria ter se estendido mais um pouco, ido mais além... me faltou um bocadinho de auto-confiança e um tanto de coragem. Dado que este é meu último fim de semana paulista, vou ter que rezar para encontrar uma balada durante a semana pra tentar corrigir meu erro de última hora... antes tarde do que nunca.

Aqui vai o link do texto... vale a pena dar uma conferida:
http://viajeaqui.abril.com.br/blog/125222_comentarios.shtml?7536578

Daqui a pouco tô voltando... e parece que foi ontem que eu arrumei a mala...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Shame on you seducing everyone*

Não são os bonitos, nem os intelectuais, tão pouco os "moh limpeza", eu me apaixono pelos criativos!

Músicos, escritores, editores, publicitários, jornalistas, fotografos, arquitetos e quem mais tiver um pé, ou os dois, nas ciências das artes. Adoro uma manifestação de inteligência tangível, however de maneira geral eles possuem os piores egos, ao mesmo temo que possuem um ar de convencidos são incrivelmente carentes de aplausos e desse jeito não há encantamento que dure (e nunca demora muito não). Mas são meu karma, meu calcanhar de Aquiles, um requisito de conquista irrevogável. Ou alguém aí já me viu arrastando asa por algum contador ou advogado? (Alias meu nível de antipatia pelos estudantes de direito é altíssimo).

Portanto aos criativos de plantão eu digo: Vão fundo! (vão fundo, que comigo é bem rasinho).

* The deepest blues are black - Foo Fighters

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Frase do dia em Sampa City:


"Corte o cabelo não... você é filha de Iemanjá e tem uma proteção espiritual linda!"

Um cara na rua me parou só pra me dizer isso com um sorriso no rosto e saiu...

Oxalá! Quem saiu com um sorriso no rosto fui eu!

Pessoas queridas do meu Brasil, aqui em Sampa o frio tá de lascar! Nunca pensei que fosse sentir falta do calor dos infernos de Fortal... pelo amordi!


Mas fora o frio do cão, aqui estou ainda em estado de graça. São Paulo é uma loucura deliciosa! Tomar cerveja sem precisar guardar a garrafa num isopor e ela continuar geladinha... não tem preço, só perde pra cerveja véu de noiva no parapeito da janela em Buenos Aires.. Rárará!

E Sampa tem outra mais emocionante que em Fortal: aqui tem muita gente bonita - prontofalei! Meninas queridas, andar na Av. Paulista e ver homens lindos de terno e gravata andando de um lado para o outro na rua em plena luz do dia sem nem precisar ser data comemorativa é fenomenal! É porque em Fortal, mais de três homens de terno juntos ou é no fórum ou é casamento! Rárará! E nem sempre dão muito gosto de se ver! Prontofaleidenovo!

Mas uma coisa curiosa aqui de Sampa é que se eu analisar a porcentagem, a maior parte das pessoas que me foram apresentadas são cearenses! Realmente estou começando a acreditar na teoria de dominação global cearense de um email que recebi tempos atrás! O IEI vai dominar o mundo! Ieeeeeei!!! Vai ser o grito de guerra!

No mais, vou cuidar da vida que não tô aqui de flosô! Vou ali acumular todas as memórias visuais e experiências que a grande São Paulo tem pra me oferecer! Voltarei para este humilde blog em breve, porque por aqui com certeza, assunto não vai faltar!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

início de vida nova...

Pra uma nordestina acostuma com um sol de 40° todo dia na moleira, até que estou me saindo bem no frio de menos de 10° de São Paulo.

Para os menos chegados ou os mais desinformados, é isso mesmo: esta humilde pessoa que vos escreve está toda besta em São Paulo por um mês. Batendo perna loucamente, abismada vendo de perto os prédios que estudei na facu e as tão famosas ruas que as pessoas cantam e contam por aí. São Paulo é fria, um tanto cinza, bastante turbulenta... mas é simplesmnete esplendida! Aqui definitivamente o mundo acontece.. e você precisa correr para não ficar pra trás.

Dias de tédio em Fortaleza são bem comuns... aqui só tem tédio quem quer. Minha lista "coisas-pra-fazer-lugares-pra-ir" ao invés de diminuir só aumenta a cada dia que passa. Museus, teatros, cinemas, shoppings, parques, compras... um mês definitivamente não ser muito tempo!

No entanto, não estou aqui de férias, então a cabeça não fervilha somente com a dúvida sobre qual passeio fazer a seguir. Na verdade, a inquietação da pergunta "o que virá depois" é milhões de vezes maior que a correria pra conhecer a maior cidade do país em apenas um mês. Vir pra Sampa pra mim não está sendo só conhecer um lugar novo... dessa vez há todo um desafio pessoal, de mudança de comportamento, de atitude, de correr atrás de novas coisas e construir novas oportunidades. Passada a euforia do desembarque na minha nova e provisória morada, é hora de esfriar o animo e investir no crescimento pessoal e profissional... vida nova tá começando agora, e só Deus sabe o que me reserva...

Muita coisa ficou pra trás quando entrei no avião sexta-feira passada, deixei muitos fantasmas, muitas promessas vazias, muitas expectativas frustradas... Enchi a mala de sonhos e esperanças e embarquei, torcendo para que muitas mudanças estejam me esperando na volta pra casa!