sábado, 25 de junho de 2011

Hoje eu acordei de sonho bom. Recordação bonita do que ainda não aconteceu. Era carinho, mãos, amigos, cadeiras, sorrisos e roupas leves. Era afeto demonstrado.


Hoje eu levantei de sonho bom e ouvi música bonita. Fotos de família e daquela viagem. Vontade de arte, de belo, de brincar de passar horas embelezando as lembranças.

Hoje eu saí de sonho bom e ele não saiu de mim. Ficou sorrindo na manhã doce, fazendo charme no gosto do café, brilhando no sol da rua, maquinando um plano de dominar meu dia.

Hoje eu fiquei de sonho bom e o levei no bolso, com todo cuidado. Desenhei projeto de felicidade, guardei na memória.

Hoje eu vivi de sonho bom. Acordei, saí, fiquei, comi, bebi. E dormi com ele. Agasalhei no meu cobertor, dei travesseiro de plumas. Que é pra ver se ele fica. Pra sempre.

domingo, 5 de junho de 2011

Definir pelo gostar - parte 1

Gosto da lembrança repentina, da demonstração pública de carinho, de receber bilhete, carta, email, encomenda, cafuné, de gramática, de análise sintática e figuras de linguagem, de cadeira confortável, de almofada que a gente amassa e ela retoma a forma, de família grande.


Gosto de livros e revistas, de andar de mãos dadas, de passar horas na locadora de vídeo.
Gosto de andar a pé em calçadas largas e sem muros, de ver gente nas ruas, de cidade.

Gosto de escola e sala de aula, de professor, aluno, prova e recreio, de acordar de madrugada com mensagem no celular, de café com pão, de bolo na casa da avó, de almoço demorado em dia de semana, de idealismos e sonhadores, de dar presentes sem motivo, de amigos.

Gosto de escrever, de caligrafias bonitas, de canetas, cadernos e lápis de cor, do meu trabalho.
Gosto de crianças, de dar colo e de levar pra passear segurando nas mãozinhas pequenas.

Gosto de telefone, de festa à fantasia, de cozinhar pros amigos, de vinho bom e visita em casa, mesmo que de surpresa.
Gosto de bom humor, de dar risadas altas e descontraídas, de inteligência sem arrogância, de andar descalça, de pintar as unhas.
Gosto de personalidades fortes, de gente distinta e dona de si e de me acompanhar delas e ter vontade de não largar mais.

Gosto de tatuagem, de música, de cinema, de museu e de histórias compridas que envolvam qualquer um destes assuntos ou nenhum deles.
Gosto de livraria, de cafeteria, de padaria, de loja de departamento e de tudo que é mais do que deveria apenas ser.
Gosto de fotografar, de sentar no banco do parque e pensar na vida enquanto as crianças brincam como se não o dia não tivesse fim.

Gosto de óculos, tênis all star, pulseira de couro, de pintar os olhos e do meu cabelo enrolado.
Gosto de viagem, de dirigir, de mala, aeroporto, estação de metrô, hotel, abraço, beijo no pescoço.

Gosto de mim na maior parte do tempo, e quando não gosto, me reinvento.
Gosto de ser feliz. Quase sempre e na medida do possível...



Como se o gostar pudesse me definir,
escrevo só coisas boas, para ler e sorrir por um instante,
numa brincadeira de faz-de-conta, onde meu mundo é só isso e tudo isso,
e nada mais é triste: meus amores todos ali, perto.