Gosto da lembrança repentina, da demonstração pública de carinho, de receber bilhete, carta, email, encomenda, cafuné, de gramática, de análise sintática e figuras de linguagem, de cadeira confortável, de almofada que a gente amassa e ela retoma a forma, de família grande.
Gosto de livros e revistas, de andar de mãos dadas, de passar horas na locadora de vídeo.
Gosto de andar a pé em calçadas largas e sem muros, de ver gente nas ruas, de cidade.
Gosto de escola e sala de aula, de professor, aluno, prova e recreio, de acordar de madrugada com mensagem no celular, de café com pão, de bolo na casa da avó, de almoço demorado em dia de semana, de idealismos e sonhadores, de dar presentes sem motivo, de amigos.
Gosto de escrever, de caligrafias bonitas, de canetas, cadernos e lápis de cor, do meu trabalho.
Gosto de crianças, de dar colo e de levar pra passear segurando nas mãozinhas pequenas.
Gosto de telefone, de festa à fantasia, de cozinhar pros amigos, de vinho bom e visita em casa, mesmo que de surpresa.
Gosto de bom humor, de dar risadas altas e descontraídas, de inteligência sem arrogância, de andar descalça, de pintar as unhas.
Gosto de personalidades fortes, de gente distinta e dona de si e de me acompanhar delas e ter vontade de não largar mais.
Gosto de tatuagem, de música, de cinema, de museu e de histórias compridas que envolvam qualquer um destes assuntos ou nenhum deles.
Gosto de livraria, de cafeteria, de padaria, de loja de departamento e de tudo que é mais do que deveria apenas ser.
Gosto de fotografar, de sentar no banco do parque e pensar na vida enquanto as crianças brincam como se não o dia não tivesse fim.
Gosto de óculos, tênis all star, pulseira de couro, de pintar os olhos e do meu cabelo enrolado.
Gosto de viagem, de dirigir, de mala, aeroporto, estação de metrô, hotel, abraço, beijo no pescoço.
Gosto de mim na maior parte do tempo, e quando não gosto, me reinvento.
Gosto de ser feliz. Quase sempre e na medida do possível...
Como se o gostar pudesse me definir,
escrevo só coisas boas, para ler e sorrir por um instante,
numa brincadeira de faz-de-conta, onde meu mundo é só isso e tudo isso,
e nada mais é triste: meus amores todos ali, perto.