quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Desacalento - parte 03

Às vezes tenho certeza de que,


na vida,

tudo debocha.

Desacalento - parte 02

Coisa mais triste


é estar sozinho

no meio da multidão

de rostos conhecidos.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Desacalento - parte 01

Cada dia


pertenço mais

a lugar nenhum.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Tem um ar estranho aqui que me comove, um calor no peito que eu não sei se gosto, mas que me surpreende e arrebata e interroga. Lança-chama, fósforo, faísca, passou, sumiu. Mas volta quando o olho vê o que não quer, ou passa propositalmente de relance na foto, só pra testar. Voltou, um dia mais, outro menos. Se afastou por curta temporada, dia ou dois no máximo, porque já contei. Observei mais de perto, era ilusão de ótica. Ótica safada, escrachada, que brinca com a minha miopia quase cegueira. Faz de conta que me engana, mas no fundo é tudo verdade. Sim, porque eu olhei de novo dentro de mim e ela ainda estava lá: aquela faísca insistente, dona daquele calor estranho comovente que não sei se gosto... O dia hoje já está no fim, o ano também. Mas e a faísca, será?

sábado, 25 de junho de 2011

Hoje eu acordei de sonho bom. Recordação bonita do que ainda não aconteceu. Era carinho, mãos, amigos, cadeiras, sorrisos e roupas leves. Era afeto demonstrado.


Hoje eu levantei de sonho bom e ouvi música bonita. Fotos de família e daquela viagem. Vontade de arte, de belo, de brincar de passar horas embelezando as lembranças.

Hoje eu saí de sonho bom e ele não saiu de mim. Ficou sorrindo na manhã doce, fazendo charme no gosto do café, brilhando no sol da rua, maquinando um plano de dominar meu dia.

Hoje eu fiquei de sonho bom e o levei no bolso, com todo cuidado. Desenhei projeto de felicidade, guardei na memória.

Hoje eu vivi de sonho bom. Acordei, saí, fiquei, comi, bebi. E dormi com ele. Agasalhei no meu cobertor, dei travesseiro de plumas. Que é pra ver se ele fica. Pra sempre.

domingo, 5 de junho de 2011

Definir pelo gostar - parte 1

Gosto da lembrança repentina, da demonstração pública de carinho, de receber bilhete, carta, email, encomenda, cafuné, de gramática, de análise sintática e figuras de linguagem, de cadeira confortável, de almofada que a gente amassa e ela retoma a forma, de família grande.


Gosto de livros e revistas, de andar de mãos dadas, de passar horas na locadora de vídeo.
Gosto de andar a pé em calçadas largas e sem muros, de ver gente nas ruas, de cidade.

Gosto de escola e sala de aula, de professor, aluno, prova e recreio, de acordar de madrugada com mensagem no celular, de café com pão, de bolo na casa da avó, de almoço demorado em dia de semana, de idealismos e sonhadores, de dar presentes sem motivo, de amigos.

Gosto de escrever, de caligrafias bonitas, de canetas, cadernos e lápis de cor, do meu trabalho.
Gosto de crianças, de dar colo e de levar pra passear segurando nas mãozinhas pequenas.

Gosto de telefone, de festa à fantasia, de cozinhar pros amigos, de vinho bom e visita em casa, mesmo que de surpresa.
Gosto de bom humor, de dar risadas altas e descontraídas, de inteligência sem arrogância, de andar descalça, de pintar as unhas.
Gosto de personalidades fortes, de gente distinta e dona de si e de me acompanhar delas e ter vontade de não largar mais.

Gosto de tatuagem, de música, de cinema, de museu e de histórias compridas que envolvam qualquer um destes assuntos ou nenhum deles.
Gosto de livraria, de cafeteria, de padaria, de loja de departamento e de tudo que é mais do que deveria apenas ser.
Gosto de fotografar, de sentar no banco do parque e pensar na vida enquanto as crianças brincam como se não o dia não tivesse fim.

Gosto de óculos, tênis all star, pulseira de couro, de pintar os olhos e do meu cabelo enrolado.
Gosto de viagem, de dirigir, de mala, aeroporto, estação de metrô, hotel, abraço, beijo no pescoço.

Gosto de mim na maior parte do tempo, e quando não gosto, me reinvento.
Gosto de ser feliz. Quase sempre e na medida do possível...



Como se o gostar pudesse me definir,
escrevo só coisas boas, para ler e sorrir por um instante,
numa brincadeira de faz-de-conta, onde meu mundo é só isso e tudo isso,
e nada mais é triste: meus amores todos ali, perto.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Noite passou e se esticou, encostou na madrugada.

Rápida e gostosa, daquelas onde não pesam as horas...
... onde já se tem tudo e nada se precisa: simples, sorriso, sincero.

Falas, frases, discursos inofensivos, opiniões desarmadas, riso frouxo.

É só. E é tudo.

De verdade, algo mais é necessário?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

small wishes

tem dias em que não se quer o mundo inteiro ou grandes conquistas...

tem dias em que tudo que se deseja é um telefonema e um convite.


...



"Daqui uma hora, conversa fora, mãos dadas e cabeça no ombro. O resto é detalhe..."

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Sempre achei que era preferível pensar com o cérebro a com certas partes situadas mais ao sul. Falando sério, será que as pessoas não se enxergam andando por aí atordoadas, sonhando acordadas, chorosas e indecisas, completamente idiotas por causa de algo que até os animais terminam com rapidez para poder cuidar de coisas mais importantes, como encontrar carne fresca?" (MORGAN, Dexter)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bom dia!

Tem dias que você acorda de madrugada sem motivo. Sente uma vontade enorme de ouvir música. Não sabe ao certo que música é essa, mas procura em sua lista algo mais feliz.

Aquela pequena lista de sons harmônicos devagarinho muda seu humor. Mais disposta, seu horóscopo lhe enche de falsas esperanças e palavras amenas. Uma coisa ou outra é lida: uma frase em algum lugar, um refrão do que se está ouvindo, e tudo é estimulante... Em pouco tempo, se está cantarolando, balançando suavemente de um lado a outro o corpo, enquanto a cabeça tira o peso e o cinza de todos os pensamentos...

O dia amanhece, de fato. O dia, as idéias, a alegria e a leveza. Leveza de ser mais um dia. Mais uma chance. Mais um sorriso.

Leveza, leve, livre. Querendo só ser feliz, sem pensar.

Bom dia!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Cartas de amores (3)

(...)

Não, babe, eu não estou com raiva. Nem teria motivos para tal...

... Mas, quer saber? Eu estou cansada disso tudo...

(...)

Cansada de promessas vãs e da falta delas. De sentimentos rasos, de atenção compartilhada, de afeto conveniente e educado. De interesse momentâneo, de preencher buracos, de passatempos.

Cansada de metades, de limites, de muitas palavras e poucas ações. Farta de encontros egoístas e conversas vazias, de silêncios prolongados e assuntos forçados, de querer e não poder.

Cansada do simples, do conveniente, do tranqüilo, do seguro. Cheia das dúvidas alheias, das crises existenciais, dos compromissos superficiais, das vontades sufocadas que se têm de engolir.

Eu cansei de migalhas.

(...)

A verdade, babe, é que não há nada genuíno entre nós...

Eu estou cansada de jogos de amor.

Eu quero fluir...

...E deixar o amor entrar

Sem pedir licença.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Resoluções de fim de festa...

Um dia eu vou poder dizer tudo aquilo que sinto pras pessoas sem ter que medir perdas e ganhos.

Espontaneidade e verdade, queria estampar na cara e na voz, sem conceitos e preconceitos.

Sem medo, drama ou excesso de romantismo. Só pelo simples aliviar de peso nas costas. Pela verdade escancarada, pelo dito sempre no lugar do não-dito...

... pelo pagar pra ver, ver no que dá. Apostar na roleta, vermelho ou preto, sorte nos dados.

Só pra trocar a montanha russa do "se" pela calmaria do "eu tentei", "eu fiz", "eu disse".

Porque a gente não tem dimensão do que uma palavra é capaz. Muda um fato, muda um destino e muda um mundo.

Palavra influencia, aconselha, indica, decide, assegura. "Eu gosto de você". Dizer que ama quebra barreiras. Pro sim ou pro não, te derruba do muro.

E que outra forma de ter certeza senão dizendo-as? Ver para crer. Eu quero ver, minha gente.

Um dia, quem sabe, depois que a festa acabar,
Eu cante aos quatro ventos aquilo que me faz sorrir.
E o mundo todo vai saber as cores que tem meu coração...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Estou lendo Oscar Wilde. Estou lendo Oscar Wilde e pirando, mesmo ele sendo extremamente machista. Bem machista! Saca só as pérolas:

"(...) o único processo pelo qual uma mulher chega a reformar um homem é o da importunação a ponto de perder ele todo o interesse possível na existência."

"Oh! a fatal memória das mulheres! Que fenômeno assustador! Que perfeita estagnação intelectual revela!"

"O único encanto do passado está em ser passsado, e as mulheres nunca sabem quando o pano caiu; invariavelmente, reclamam um sexto ato, propondo o prosseguimento do espetáculo quando o interesse todo já se foi."

Concordamos que esse cara é machista, certo? Pois é, o que me intriga é que em momento algum eu me senti ofendida, muito pelo contrário, quando li esses trechos eu dei risada. Não de deboche, ou por enxergar algo de cômico. Foi mais uma risada de simpatia, um tapinha nas costas, um silencioso balançar de cabeça, um eu-te-entendo-brother.

Ele descreve o tipo de mulher que eu racionalmente procuro evitar me tornar. E não estamos falando de mulheres do século XIX. Bom, ele literalmente está, mas a quantas mulheres do seu círculo social a carapuça serve?

Eu entendo, admito e confesso, solidão é indiscutível ruim, mas não saber apreciar a própria companhia é pior ainda. Prefiro o exercício diário da independência afetiva, cheio de novas oportunidades, ao comodismo do mesmo cobertor de orelha. Mas eu respeito, ou ao menos tento, as que preferem o caminho "seguro". Eu só acho que as mulheres realmente precisam aprender a gostar mais de si mesmas e enxergar a companhia masculina como um anexo (sem trocadilhos) e não como objetivo central.