sábado, 29 de janeiro de 2011

Cartas de amores (3)

(...)

Não, babe, eu não estou com raiva. Nem teria motivos para tal...

... Mas, quer saber? Eu estou cansada disso tudo...

(...)

Cansada de promessas vãs e da falta delas. De sentimentos rasos, de atenção compartilhada, de afeto conveniente e educado. De interesse momentâneo, de preencher buracos, de passatempos.

Cansada de metades, de limites, de muitas palavras e poucas ações. Farta de encontros egoístas e conversas vazias, de silêncios prolongados e assuntos forçados, de querer e não poder.

Cansada do simples, do conveniente, do tranqüilo, do seguro. Cheia das dúvidas alheias, das crises existenciais, dos compromissos superficiais, das vontades sufocadas que se têm de engolir.

Eu cansei de migalhas.

(...)

A verdade, babe, é que não há nada genuíno entre nós...

Eu estou cansada de jogos de amor.

Eu quero fluir...

...E deixar o amor entrar

Sem pedir licença.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Resoluções de fim de festa...

Um dia eu vou poder dizer tudo aquilo que sinto pras pessoas sem ter que medir perdas e ganhos.

Espontaneidade e verdade, queria estampar na cara e na voz, sem conceitos e preconceitos.

Sem medo, drama ou excesso de romantismo. Só pelo simples aliviar de peso nas costas. Pela verdade escancarada, pelo dito sempre no lugar do não-dito...

... pelo pagar pra ver, ver no que dá. Apostar na roleta, vermelho ou preto, sorte nos dados.

Só pra trocar a montanha russa do "se" pela calmaria do "eu tentei", "eu fiz", "eu disse".

Porque a gente não tem dimensão do que uma palavra é capaz. Muda um fato, muda um destino e muda um mundo.

Palavra influencia, aconselha, indica, decide, assegura. "Eu gosto de você". Dizer que ama quebra barreiras. Pro sim ou pro não, te derruba do muro.

E que outra forma de ter certeza senão dizendo-as? Ver para crer. Eu quero ver, minha gente.

Um dia, quem sabe, depois que a festa acabar,
Eu cante aos quatro ventos aquilo que me faz sorrir.
E o mundo todo vai saber as cores que tem meu coração...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Estou lendo Oscar Wilde. Estou lendo Oscar Wilde e pirando, mesmo ele sendo extremamente machista. Bem machista! Saca só as pérolas:

"(...) o único processo pelo qual uma mulher chega a reformar um homem é o da importunação a ponto de perder ele todo o interesse possível na existência."

"Oh! a fatal memória das mulheres! Que fenômeno assustador! Que perfeita estagnação intelectual revela!"

"O único encanto do passado está em ser passsado, e as mulheres nunca sabem quando o pano caiu; invariavelmente, reclamam um sexto ato, propondo o prosseguimento do espetáculo quando o interesse todo já se foi."

Concordamos que esse cara é machista, certo? Pois é, o que me intriga é que em momento algum eu me senti ofendida, muito pelo contrário, quando li esses trechos eu dei risada. Não de deboche, ou por enxergar algo de cômico. Foi mais uma risada de simpatia, um tapinha nas costas, um silencioso balançar de cabeça, um eu-te-entendo-brother.

Ele descreve o tipo de mulher que eu racionalmente procuro evitar me tornar. E não estamos falando de mulheres do século XIX. Bom, ele literalmente está, mas a quantas mulheres do seu círculo social a carapuça serve?

Eu entendo, admito e confesso, solidão é indiscutível ruim, mas não saber apreciar a própria companhia é pior ainda. Prefiro o exercício diário da independência afetiva, cheio de novas oportunidades, ao comodismo do mesmo cobertor de orelha. Mas eu respeito, ou ao menos tento, as que preferem o caminho "seguro". Eu só acho que as mulheres realmente precisam aprender a gostar mais de si mesmas e enxergar a companhia masculina como um anexo (sem trocadilhos) e não como objetivo central.