domingo, 19 de outubro de 2008

7º Arte

Enquanto todos são cegos e você é o único que pode ver, e nesse cenário, tudo que se pode enxergar é a miséria humana em sua forma mais nua e crua, o que seria a maior dádiva se torna o fardo mais pesado. Transformar a dor e a feiúra em esperança é a grande mágica de "Ensaio sobre a cegueira".

Poder, mas não querer ver: é sobre todas as coisas que "vemos sem de fato enxergar" que o filme fala. E sobre como as coisas mudam quando nos forçamos a ver quem realmente somos, o que somos capazes de suportar, fazer ou sentir. Tudo de animal irracional vem à tona quando as condições de sobrevivência falam mais alto... nesses momentos, só quem realmente consegue ver consegue se manter firme.

Minha visão de arquiteta metida a entendedora barata de arte também me obriga a comentar a direção e a fotografia do filme: altamente e absolutamente ESTONTEANTES... De tirar o folêgo e emocionar de verdade com a montagem e as atuações. Trilha sonora, fotografia e direção de arte merecem especiais aplausos calorosos.

Vale a pena ver 3 vezes só no cinema, e mais outras tantas depois que sair de cartaz, sempre que houver oportunidade. A partir de hoje me declaro sócia-fundadora do fã-clube do meu colega de profissão Fernando Meireles. Graças a Deus que ele não levou a arquitetura adiante. Inscrições para fãs já estão abertas, podem me contactar.

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