terça-feira, 3 de março de 2009

Descobertas de mim mesma...

Acabou-se a folia, agora todo mundo caindo na vida real. É só depois do carnaval que a gente começa a pensar em todos os planos que foram feitos pro ano na noite de reveillon... Nessa época, tem gente que desespera, tem gente que se revolta com o mundo e entra em crise existencial, tem gente que dá guinada na vida e tem gente que simplesmente vai levando sem se preocupar. Independente da postura adotada, a ficha cai pra todo mundo: chega de clima de férias!

Fiz vários planos para esse ano: alguns pequenos, outros que acarretarão grandes mudanças. Mas parando ontem pra pensar na velha questão "o que vou fazer da minha vida", consegui encontrar um ponto em comum em todas as metas que me coloquei: a novidade!

Porque novidade foi o que me faltou durante todos os últimos cinco ou seis anos. Novidade é o que me encanta, e tudo que é novo e desconhecido, ou que tem a possibilidade de se reinventar e se mostrar diferente a cada momento é que realmente me atrai. E engraçado é que parando pra analisar mais profundamente, a surpresa da descoberta é fator comum de todas as minhas paixões, sejam elas profissionais, espirituais, sentimentais...

Acho que um dos maiores avanços no meu processo de auto-conhecimento-terapia-barata-de-mim-mesma foi enxergar nas coisas que me rodeiam o que realmente me encanta e o que me desagrada. E quando começa a me faltar o inesperado e tudo se torna conhecido, vem a velha "impregnação"... E babo olhando fotos de lugares que nunca fui e de coisas que nunca fiz.

Acho que muito da minha paixão pela arte vem do gosto pela descoberta, da curiosidade séria e ao mesmo tempo efêmera - na medida - de querer entender mas sem passar o resto da vida decifrando o mesmo código. O que me apaixona na fotografia é olhar uma imagem e ver rapidamente mil interpretações. O que me encanta na arquitetura é poder virar uma esquina ou entrar em um corredor e dar de cara com algo totalmente inesperado. É ver um filme e me supreender com a tomada diferente, com o ângulo cavado de onde menos se espera, que te faz enxergar tudo de outra forma.

Surpresa, surpresa, surpresa. Tudo que me encanta tem o fator surpresa. Até com pessoas. Quanto mais me surpreendem com coisas e atitudes que me causam admiração, maior é a minha afeição. De ontem pra hoje caiu a ficha na minha cabeça: é essa sensação que me deixa realizada.

Aí nasce o problema seguinte, e o que parecia ter sido a descoberta da solução dos meus dilemas na verdade se mostra o início da próxima charada, ainda mais difícil: como eu vou buscar objetivos que não sei ao certo o que são? Como se conquista surpresas? Novidades não são, por etmologia da palavra, coisas que não se sabe ainda ao certo o que são? Aí a vida fica complicada, buscando momentos que ainda vou saber o que significarão.

No fim das contas, isso tudo não importa muito. Vou seguindo estradas e virando esquinas na esperança de me surpreender todas as vezes. Descobrindo coisas, amontoando memórias e escrevendo estórias de cada novidade que cruzar o meu caminho...

E isso com certeza soa como felicidade aos meus ouvidos...

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