sábado, 13 de abril de 2013

Cartas de amores (7)

amigo, o mundo aqui nessa terra nova é estranho, é tudo tão diferente, que eu me pego outra pessoa às vezes... bom por uns lados, ruim por outros, eu tolero coisas que não concebia antes, penso mil vezes se não sou eu que tenho que mudar, se não é pra mim aquela perspectiva diferente que cruzou o caminho... mas também, algumas vezes me pego bem mais intolerante pra coisas simples, pra tv ligada, pra música ruim na rua, pro ponto de vista que passou a ser esdrúxulo, pra banalidade, pra muvuca... eu não sei muito bem o que fazer com isso, fico insistindo na meta que coloquei pra mim mesma de nunca mais, nunca mais, deixar de ser eu mesma, mas será que eu ainda sei quem eu quero ser de verdade? é tudo muito estranho, uma sensação de novo e velho ao mesmo tempo... pensar no futuro parece tão incerto, é um borrão de expectativa não muito definidas... tento não pensar demais nisso, porque sei que, no fundo, não existe resposta... mas será que é isso mesmo que é viver e amadurecer? será que é isso mesmo que é viver BEM e amadurecer BEM? é difícil escolher um caminho sabendo que provavelmente não terá volta... a vida não dá pra gente aquela cordinha pra puxar em caso de emergência, né?! acho que tô ficando velha... :)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Cartas de amores (6)


A verdade, meu bem, é que não importa...

... não importa se a rotina enlouquece e faz a saudade incomodar se o brilho no olho quando encontra é um dia amanhecendo...

... não importa a raiva do mundo se ela desaparece quando eu abro a porta pra você entrar...

... não importa o tédio, o problema, a conta pra pagar, o trabalho chato que a gente tem que engolir...

... nada disso importa...

... porque quando eu olho pra frente, eu só consigo pensar na imensidão de coisas que ainda quero dividir com você...

... porque eu abri aquela porta quando você chegou, eu te deixei entrar... e agora não quero mais te deixar sair.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

soma


Hoje eu acordei pensando na vida... na minha, na sua, na nossa...
Ontem a gente conversou um monte, e no meio das risadas, dos assuntos amenos e dos paparicados de casal, a gente preenche os espaços com coisa séria e compartilhamento de problemas e anseios, porque é assim mesmo, ser adulto é isso... e é bom!
É bom porque as coisas que se diz vão ficando, de uma forma ou de outra, porque toda conversa é troca... E quando a gente troca coisas, sensações, sentimentos e experiências, a gente acaba mudando um pouco os pontos de vista turrões que a gente insiste em carregar... e isso também é bom!
Porque eu acordei pensando que o teu sonho tem um pedaço que enriquece o meu, porque eu acordei com vontade de desenhar um milhão de caminhos futuros, porque eu juntei mais umas peças e vi vários túneis com finais iluminados, porque eu acordei com vontade de lutar mais e me dedicar mais e alcançar todos eles no final... e ah! Como isso é bom!

Porque eu descobri que a troca, na verdade, é soma. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Cartas de amores (5)


...

-     Não, nem tudo está bem, mas eu não reclamo... Tem sido meio difícil ultimamente... Mas sabe, lá no fundo, tem uma sensação cada dia mais forte de que está tudo indo no caminho certo, que tudo faz parte do processo, sabe?

...

-     Ah, você me conhece, sabe que eu odeio reclamar da vida... Mas não é só por isso, não é um ‘conformismo ilusório’... É um feeling, sabe como é?!

...

-     Poxa, eu não sei mais como posso te explicar, porque eu só sinto, e não tenho certeza alguma de nada. Mas eu fico pensando que essas coisas que vão surgindo no meu caminho de forma tão absurda, sensitiva e espontânea estão me levando exatamente onde preciso ir, mesmo que o caminho até lá passe por uns percalços...

...

-     Pois é, você sabe que já passei por muita coisa né?! Já te contei mil vezes... Mas eu não lamento. Na verdade, pensando bem, não há nada difícil ou doloroso que eu tenha passado na vida que não tenha me ensinado algo importante mais na frente.

...

-     É verdade... talvez eu só precise de mais paciência...


(Feliz 2013)
J

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Cartas de amores (4)

- É... ela fala e pausa enquanto a porta do elevador se abre.

Passos para fora, mais dois no corredor, chave na porta, dois giros...

Um respiro meio ansioso, meio nervoso. Não que nunca tivesse feito aquilo antes... Hesita uma fração de segundo antes de girar a maçaneta, com um leve sorriso, sempre assim...

- Chegamos! Não repara na bagunça... (foi a única coisa que conseguiu falar)

Passos para dentro, luz do abajur que tinha ficado acesa, chaves penduradas pelo lado de dentro da porta, bolsas sobre a mesa, pára no meio da sala...

- Quer beber alguma coisa?
- Só se tiver você engarrafada...

(foram as últimas palavras das próximas horas)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A vida é uma colcha!

... a verdade é que à medida que vamos ficando mais experientes (para não usar a feia e dura palavra "calejadas"), vamos entendendo que a maior parte das relações que vivemos não são mesmo para serem duradouras. Não começaram com essa intenção, não se desenvolveram para isso e simplesmente 'did not meant to be' desde o início. E aí vai diminuindo aquela mania chata de esperar um 'forever and ever' de cada beijo que se dá na balada. E vai diminuindo o tamanho da frustração quando aquele beijo se prolonga por uma semana, um mês, oito meses e, da mesma forma que começa, termina. Aí a gente pensa dois segundos (mentira, pensa uns dias) e vê que, na real, aquilo nunca foi tanta coisa assim: nunca foi uma amizade tão forte assim, nunca foi uma dedicação, nunca foi um sentimento... Era tudo só vontade. A parte boa é que a gente vê, com um pouco mais de destreza e velocidade, o que tinha de bom para se tirar daquele beijo. O que se aprende é bem mais eficaz, o crescimento é bem mais nítido, e aí, depois que a dorzinha de cotovelo passa (porque ela sempre passa), depois que a pequena frustração vai embora, tudo faz mais sentido. Eu aprendi isso, cresci naquilo, e essa pessoa - o mais importante - me contribuiu com x, y e z. Quem sabe até um w! E só isso, quando a gente já está mais experiente (para não dizer - de novo - calejada), já basta! Porque a vida é isso mesmo, é uma colcha de retalhos, cada pessoa tem uma cor e uma estampa que a gente vai costurando uma na outra.
... a verdade é que algumas pessoas são pedaços bem maiores de retalhos, às vezes peças grandes de tecido, e a gente vai costurando os pequenos por cima da base comprida. Ou então, acontece de algumas poucas (e elas, sendo poucas, bastam) terem a estampa preferida. E a gente fica costurando pedaços coloridos delas na nossa colcha a vida inteira!

sábado, 6 de outubro de 2012

Café com leite e pão com melancolia

Acordei...
Mas não sei se foi melancolia, se foi alegria...
... Ou se foi uma felicidade estranha de saber que, no fundo, está tudo bem.
Também não sei se foi tristeza...
Se foi saudade do que foi e nunca mais voltou,
ou do que nunca tive...
Pensando bem, também pode ter sido sonho...
daquele lugar distante, daquela janela aberta, daquele mar...
É, daquele lugar que ainda não fui...
Indo além, deve ter sido vontade...
... De ver, ouvir, cantar, sorrir.
Uma necessidade de surpresa e novidade que vez por outra me consome.
Mas que me cansa quando encontro o que não sabia que tinha ido buscar...
Mal de querer sempre mais
e além.
Além de mim!
Vou na rua, virar uma esquina, esbarrar com o desconhecido...
quem sabe eu volto!


sábado, 18 de agosto de 2012

Lá fora, na rua,

tá frio, tá calor...

...tá frio de novo...

mas na cama vazia, nada mais esquenta...

sábado, 21 de julho de 2012

Desvairada crônica da paulicéia...


No sábado ensolarado, depois da semana gelada, a desculpa de uma compra doméstica qualquer para levar os sapatos velhos para passear. Em São Paulo, a rua sempre me surpreende. Na praça, mendigos se juntam alegres, numa roda de samba de garrafas vazias e palmas de mãos sofridas, se abraçando docemente à tarde de sol que faz todos parecerem um pouco mais iguais. Porque ali, naquele momento, ninguém sofre com frio ou chuva.  Na calçada do pomposo teatro, símbolo burguês, punks adolescentes se reúnem com suas caras sisudas, alheios à política, trocando informações inúteis de revoluções estéticas sem muito significado. No que chamam de ponto inicial da distinta sociedade colonial, turistas trafegam entre artefatos indígenas do museu da missão católica, numa tentativa inconsciente de achar tudo lindo e normal e cultural e incrível, quando na verdade, tudo que aquilo representa já não se conta mais nas escolas. No café com chocolate, no bolo das freiras e no pão do padre, tudo é gostoso e contemporâneo com nome de tradição secular. Na frente da antiga igreja, jovens se acotovelam para comprar tênis, stickers e t-shirts, enquanto no viaduto sem carros, outro morador de rua dança despreocupado ao som de um família de tradições indígenas latinas que tocam flautas ligadas a potentes caixas de som. Mesmo assim, contraditória, caótica e inconsciente do próprio conteúdo, São Paulo sempre me surpreende, enquanto naquela mesma praça, os mendigos continuam improvisando um carnaval até o sol se por...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Desacalento - parte 03

Às vezes tenho certeza de que,


na vida,

tudo debocha.

Desacalento - parte 02

Coisa mais triste


é estar sozinho

no meio da multidão

de rostos conhecidos.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Desacalento - parte 01

Cada dia


pertenço mais

a lugar nenhum.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Tem um ar estranho aqui que me comove, um calor no peito que eu não sei se gosto, mas que me surpreende e arrebata e interroga. Lança-chama, fósforo, faísca, passou, sumiu. Mas volta quando o olho vê o que não quer, ou passa propositalmente de relance na foto, só pra testar. Voltou, um dia mais, outro menos. Se afastou por curta temporada, dia ou dois no máximo, porque já contei. Observei mais de perto, era ilusão de ótica. Ótica safada, escrachada, que brinca com a minha miopia quase cegueira. Faz de conta que me engana, mas no fundo é tudo verdade. Sim, porque eu olhei de novo dentro de mim e ela ainda estava lá: aquela faísca insistente, dona daquele calor estranho comovente que não sei se gosto... O dia hoje já está no fim, o ano também. Mas e a faísca, será?

sábado, 25 de junho de 2011

Hoje eu acordei de sonho bom. Recordação bonita do que ainda não aconteceu. Era carinho, mãos, amigos, cadeiras, sorrisos e roupas leves. Era afeto demonstrado.


Hoje eu levantei de sonho bom e ouvi música bonita. Fotos de família e daquela viagem. Vontade de arte, de belo, de brincar de passar horas embelezando as lembranças.

Hoje eu saí de sonho bom e ele não saiu de mim. Ficou sorrindo na manhã doce, fazendo charme no gosto do café, brilhando no sol da rua, maquinando um plano de dominar meu dia.

Hoje eu fiquei de sonho bom e o levei no bolso, com todo cuidado. Desenhei projeto de felicidade, guardei na memória.

Hoje eu vivi de sonho bom. Acordei, saí, fiquei, comi, bebi. E dormi com ele. Agasalhei no meu cobertor, dei travesseiro de plumas. Que é pra ver se ele fica. Pra sempre.

domingo, 5 de junho de 2011

Definir pelo gostar - parte 1

Gosto da lembrança repentina, da demonstração pública de carinho, de receber bilhete, carta, email, encomenda, cafuné, de gramática, de análise sintática e figuras de linguagem, de cadeira confortável, de almofada que a gente amassa e ela retoma a forma, de família grande.


Gosto de livros e revistas, de andar de mãos dadas, de passar horas na locadora de vídeo.
Gosto de andar a pé em calçadas largas e sem muros, de ver gente nas ruas, de cidade.

Gosto de escola e sala de aula, de professor, aluno, prova e recreio, de acordar de madrugada com mensagem no celular, de café com pão, de bolo na casa da avó, de almoço demorado em dia de semana, de idealismos e sonhadores, de dar presentes sem motivo, de amigos.

Gosto de escrever, de caligrafias bonitas, de canetas, cadernos e lápis de cor, do meu trabalho.
Gosto de crianças, de dar colo e de levar pra passear segurando nas mãozinhas pequenas.

Gosto de telefone, de festa à fantasia, de cozinhar pros amigos, de vinho bom e visita em casa, mesmo que de surpresa.
Gosto de bom humor, de dar risadas altas e descontraídas, de inteligência sem arrogância, de andar descalça, de pintar as unhas.
Gosto de personalidades fortes, de gente distinta e dona de si e de me acompanhar delas e ter vontade de não largar mais.

Gosto de tatuagem, de música, de cinema, de museu e de histórias compridas que envolvam qualquer um destes assuntos ou nenhum deles.
Gosto de livraria, de cafeteria, de padaria, de loja de departamento e de tudo que é mais do que deveria apenas ser.
Gosto de fotografar, de sentar no banco do parque e pensar na vida enquanto as crianças brincam como se não o dia não tivesse fim.

Gosto de óculos, tênis all star, pulseira de couro, de pintar os olhos e do meu cabelo enrolado.
Gosto de viagem, de dirigir, de mala, aeroporto, estação de metrô, hotel, abraço, beijo no pescoço.

Gosto de mim na maior parte do tempo, e quando não gosto, me reinvento.
Gosto de ser feliz. Quase sempre e na medida do possível...



Como se o gostar pudesse me definir,
escrevo só coisas boas, para ler e sorrir por um instante,
numa brincadeira de faz-de-conta, onde meu mundo é só isso e tudo isso,
e nada mais é triste: meus amores todos ali, perto.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Noite passou e se esticou, encostou na madrugada.

Rápida e gostosa, daquelas onde não pesam as horas...
... onde já se tem tudo e nada se precisa: simples, sorriso, sincero.

Falas, frases, discursos inofensivos, opiniões desarmadas, riso frouxo.

É só. E é tudo.

De verdade, algo mais é necessário?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

small wishes

tem dias em que não se quer o mundo inteiro ou grandes conquistas...

tem dias em que tudo que se deseja é um telefonema e um convite.


...



"Daqui uma hora, conversa fora, mãos dadas e cabeça no ombro. O resto é detalhe..."

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Sempre achei que era preferível pensar com o cérebro a com certas partes situadas mais ao sul. Falando sério, será que as pessoas não se enxergam andando por aí atordoadas, sonhando acordadas, chorosas e indecisas, completamente idiotas por causa de algo que até os animais terminam com rapidez para poder cuidar de coisas mais importantes, como encontrar carne fresca?" (MORGAN, Dexter)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bom dia!

Tem dias que você acorda de madrugada sem motivo. Sente uma vontade enorme de ouvir música. Não sabe ao certo que música é essa, mas procura em sua lista algo mais feliz.

Aquela pequena lista de sons harmônicos devagarinho muda seu humor. Mais disposta, seu horóscopo lhe enche de falsas esperanças e palavras amenas. Uma coisa ou outra é lida: uma frase em algum lugar, um refrão do que se está ouvindo, e tudo é estimulante... Em pouco tempo, se está cantarolando, balançando suavemente de um lado a outro o corpo, enquanto a cabeça tira o peso e o cinza de todos os pensamentos...

O dia amanhece, de fato. O dia, as idéias, a alegria e a leveza. Leveza de ser mais um dia. Mais uma chance. Mais um sorriso.

Leveza, leve, livre. Querendo só ser feliz, sem pensar.

Bom dia!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Cartas de amores (3)

(...)

Não, babe, eu não estou com raiva. Nem teria motivos para tal...

... Mas, quer saber? Eu estou cansada disso tudo...

(...)

Cansada de promessas vãs e da falta delas. De sentimentos rasos, de atenção compartilhada, de afeto conveniente e educado. De interesse momentâneo, de preencher buracos, de passatempos.

Cansada de metades, de limites, de muitas palavras e poucas ações. Farta de encontros egoístas e conversas vazias, de silêncios prolongados e assuntos forçados, de querer e não poder.

Cansada do simples, do conveniente, do tranqüilo, do seguro. Cheia das dúvidas alheias, das crises existenciais, dos compromissos superficiais, das vontades sufocadas que se têm de engolir.

Eu cansei de migalhas.

(...)

A verdade, babe, é que não há nada genuíno entre nós...

Eu estou cansada de jogos de amor.

Eu quero fluir...

...E deixar o amor entrar

Sem pedir licença.